quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As várias cores do céu



Existem momentos que nos fazem repensar toda a nossa relação com a vida. Foi assim reflexiva e com olhos cheios de lágrimas que me senti após assistir o longa italiano: “Vermelho como o Céu”( 2006).
A direção é assinada por Cristiano Bortone, e o roteiro assinado pelo próprio diretor que retrata a história real do editor de som, Mirco Mencacci, que é deficiente visual desde os oito anos, após sofrer um acidente em casa.
Com a perda da visão muita coisa mudou na vida do menino, que passou a estudar em uma instituição especial - pois na década de 70, na Itália os deficientes visuais não podiam freqüentar as aulas “normais”- e a ter percepções diferentes de uma de suas maiores paixões: o cinema.
A história começa em uma vila de Toscana e as imagens claras e coloridas nos remetem a infância de cidade pequena e às brincadeiras na rua. Após o acidente Mirco (Luca Capriotti) tem de se mudar para uma escola especial em Genova.
A partir dali o filme ganha um tom mais poético, transmitindo as sensações de Mirco, que agora passa a desenvolver seus outros sentidos e descobre seu grande talento: lidar com os sons. Apesar do tom dramático da história, a escolha dos personagens que convivem com Mirco e das situações que passam juntos nos levam a boas risadas.
Umas das cenas mais marcantes são as que Mirco busca com um gravador recuperar os sons da natureza que expressam as quatro estações, neste momento os sons do filme junto com as imagens simples da chuva, das flores nos fazem querer fechar os olhos para tentar perceber o mundo como o personagem o sente.
O grande desafio do menino passa a ser lidar com as rígidas regras da escola, que é dirigida por um padre também deficiente visual, que não acredita que é possível ser feliz com esta deficiência e busca de várias maneiras impedir o desenvolvimento da imaginação dos garotos. O personagem do diretor e alguns outros que passam pela trajetória de Mirco nos levam a pensar nos diversos tipos de cegueira.
Porém, Mirco se revela um grande contador de histórias pelo som e passa a envolver toda a escola em suas fantasias sonoras.
O filme foi selecionado como melhor filme de ficção na 30 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2006, no voto do público e ganhou prêmios na Itália, Bélgica e Canadá.
Uma obra que vale a pena ser sentida.

Um comentário:

sandra possebon disse...

nem me lembrava mais desse filme tão doce e maravilhoso.Gostei do seu artigo