segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Refletir

Estava pesquisando sobre a redução da maioridade penal, e entrei no site para jovens do portal Terra onde eles promovem fóruns de discussão, li várias manifestações dos jovens, e uma me surpreendeu e me fez pensar em como a imprensa coloca os fatos e em como as pessoas lidam com essa informações.
O jovem dizia que era injusto não haver punição para os que mataram o menino João Hélio, que eles não podem ser considerados crianças se são capazes de tal atrocidade, que crianças são aqueles que tem pai e mãe e não os que já nascem roubando.
Me parece que existe uma grande dificuldade de se enxergar o que está “longe” do lugar que vivemos, crianças morrem de fome no mundo todo, vivem em condições sub humanas e no Brasil a realidade da maioria não é nada reconfortante.
O nosso sistema penitenciário não funciona, isso também não é novidade, mas ao ler esse fórum percebi que algumas pessoas não perceberam que a mudança tem de ser social, educacional e não somente de leis penais.
A imprensa diversas vezes usa de palavras e imagens que incitam as pessoas a pensar em vingança, a capa da Veja desta semana prova bem isso , a foto do menino e a pergunta ...Não vamos fazer nada?
Um pergunta que poderia dar uma boa discussão se fosse levada para os problemas de desigualdade social, de que vivemos em uma organização social que precisa de transformações.Mas não, a discussão da revista mais lida pela classe média brasileira é como manter os bandidos na prisão.
Muitas colocações me chamaram a atenção nessa reportagem, mas a principal delas está no final em que o jornalista coloca “Que se faça o que tem ser feito já para conter a hemorragia social provocada pelo crime.Ou, em breve, estaremos chorando outro João Hélio.
Só choramos por João Hélio porque fomos bombardeados com as notícias, com as fotos, com as imagens do carro, dos seus pais chorando , não choramos por todos os menores que sofrem todo tipo de maltrato nas ruas, porque isso é “aceitável”.
Os rostos dos meninos acusados do crime estão nas nossas mentes e, um sentimento de ódio vem ao coração.Mas esse sentimento faz alguma diferença se não for transformado em ação social? Continuamos sem fazer nada , esperando soluções governamentais e chorando na sala de nossa casas, comendo pipoca e assistindo ao Jornal Nacional.


Filme indicado: “Ônibus 174” , porque o “ator” principal também foi criança um dia.

2 comentários:

fabiano possebon disse...

Xandinha, eu gostei. Há um trecho que não entendi: "Me parece que existe uma grande dificuldade de se enxergar o que está "longe" do lugar que vivemos..." O finalzinho desse trecho também não entendi. Me explique. Logo que vi a capa da VEJA dessa semana, já pensei: Nossa! Por que essa frase aí? Está incitando a alguma coisa. Ela é: "Não vamos fazer nada mais uma vez?" Numa certa parte v. escreveu: "Me chamaram a atenção nessa reportagem..." Não ficou claro que reportagem é: da VEJA? ou do Fórum que v. havia lido. Mas, as idéias estão claras, bem colocadas. Nesse seu blog tem alguns outros textos seus que eu ainda não li. Depois vou lê-los. Só essas dúvidas que tive. O resto ficou bem claro.

alexandre disse...

obrigado pelo comentário no meu blog...
vou ler o seu e fazer um comentário decente também..rs
conversaremos mais... até!