Falta Almodóvar no novo filme de Almodóvar. A frase pode parecer sem sentido, mas o nome do diretor já é um adjetivo que descreve filmes surpreendentes, personagens excêntricos, historias dramáticas em cenários extremamente coloridos.
“Abrazos Rotos” ( Abraços Partidos) foi lançado na Europa em outubro e ainda não chegou ao Brasil. O diretor traz nos papéis principais suas atrizes favoritas: Penélope Cruz e Blanca Portilla e o elenco conta também com Lluis Homar e Rossy de Palma.
O filme segundo o que declarou Almodóvar no lançamento é uma declaração de seu amor pelo cinema. O roteiro é rico em metalinguagem, já que relata a história de um diretor e roterista de cinema no processo de produção de um filme.
A história não é linear, isto é bem Almodóvar, e avança e volta no tempo várias vezes, mas sem que o espectador se sinta perdido. O filme começa com um diretor de cinema cego, chamado Harry Caine tendo um caso com uma mulher bem mais jovem, que lê o jornal para Caine e entre as notícias diz que o empresário Ernesto Martel morreu, Caine fica claramente assustado com a informação.
O nome de Martel e o passado de Caine e de sua assistente Judit é o fio da história, que se desenrola com personagens gananciosos e com relações problemáticas. O tema familiar e a falta da presença paterna que são presenças constantes nos filmes de Almodóvar também estão neste filme, porém, de maneira menos intensa que em suas obras anteriores.
A melhor parte da obra é a releitura que o próprio diretor faz de “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, para quem gostou deste filme uma grande oportunidade de rever cenas com outras atrizes interpretando.
O grande problema está na expectativa que um filme de Almodóvar causa, o filme é bom, mas o desfecho da trama foca-se apenas na personagem Judit, que relaciona todos os fatos sentada em uma mesa de bar e o pior é que algumas das revelações são previsíveis.
Falta o imprevisível, falta cor e falta drama, mas ainda assim é um filme que vale a pena ser visto.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
O “Iê Iê Iê” de Arnaldo Antunes
Sabe quando você come algo, tá gostoso, mas hum....tá faltando alguma coisa. Assim foi a sensação que tive ao sair do novo show de Arnaldo Antunes: “Iê Iê Iê”.
O CD que saiu do forno em setembro, teve a produção de Fernando Catatau, que também é criador de uma banda que vale muito a pena escutar: “Cidadão Instigado”, e contou com o apoio da Natura, o que rende shows a preços populares pelo Brasil a fora.
O problema são as músicas, Antunes buscou resgatar o inicio de sua carreira, com sonoridades mais simples e letras menos elaboradas. O show começa bem, mas vai ficando cansativo já que o ritmo não muda muito, uma espécie de tecnobrega e jovem guarda, um tanto repetitivo.
Além das músicas novas, o compositor faz releituras de velhos sucessos seus como “Consumado”, “Essa Mulher” e “Socorro”. E interpreta de maneira inovadora músicas conhecidas do grande público como “Quando você decidir”de Odair José , “Ela é Americana” de Dorgival Dantas e “Vou Festejar” , de Jorge Aragão.
Como letrista, Antunes sempre é incrível, destaque para a romântica e irônica “Sua Menina” (“Você trata muito mal sua princesa/um dia ela vai virar a mesa/seu olhar só vê o seu umbigo/ um dia ela vai ficar comigo”) e para a divertida “Invejoso” (“Invejoso querer o que é dos outros é o seu gozo/ e fica remoendo até o osso mas sua fruta só lhe dá caroço”).
O show vale para dançar engraçadinho e dar uma risadas, mas já fico no aguardo da próxima experiência musical de Arnaldo.
( Este texto está também no site http://www.cozinhasonora.com.br/ , um novo espaço para debater música na rede. Visite!)
sábado, 24 de outubro de 2009
Excentricidade e sensibilidade
As maneiras de lidar com a morte, este é o tema principal do filme japonês “A Partida” (Okuibito), que recebeu o Oscar deste ano como melhor filme estrangeiro e de diversos prêmios no Japão, China, Canadá e Estados Unidos.
O roteiro narra a história de um violoncelista (Daigo) que ao perder seu emprego em uma Orquestra que não recebe apoio, acaba encontrando trabalho em uma empresa funerária, porém, os funerais japoneses são ritualísticos e o cadáver além de ser maquiado, é lavado e vestido de uma maneira toda especial antes de ser cremado.
A atividade do funcionário que prepara o “nokanshi” é desprezada pela sociedade japonesa, e o músico esconde o novo trabalho de sua mulher Mika, quando ela descobre não aceita o emprego de seu marido e sai de casa. Daigo apesar da solidão, redescobre a paixão pela vida e percebe o quanto é preciso valorizar as pessoas e cada momento da existência.
A filmagem é de uma delicadeza impressionante, os objetos, os olhares e pequenos gestos ajudam a contar esta história que leva a muitas reflexões. É uma ótima oportunidade de conhecer um pouco da cultura japonesa, rica em simbolismos.
Ao assistir, as lágrimas se misturam a sorrisos, já que existem momentos em que os exageros nas atuações se tornam engraçados e dá para perceber porque os desenhos de mangá fazem tantas caretas.
Daigo encontra pessoas, famílias, religiões, histórias e encontra a tranquilidade quando reencontra seu pai, que não via desde os seis anos.
A relação entre o antigo e o moderno fica clara quando a orquestra é desvalorizada e quando a casa de banhos, que Daigo frequenta desde pequeno está ameaçada de fechar. É o novo Japão, das cidades grandes, das tecnologias convivendo com o Japão milenar, rico em costumes tradicionais.
O roteiro narra a história de um violoncelista (Daigo) que ao perder seu emprego em uma Orquestra que não recebe apoio, acaba encontrando trabalho em uma empresa funerária, porém, os funerais japoneses são ritualísticos e o cadáver além de ser maquiado, é lavado e vestido de uma maneira toda especial antes de ser cremado.
A atividade do funcionário que prepara o “nokanshi” é desprezada pela sociedade japonesa, e o músico esconde o novo trabalho de sua mulher Mika, quando ela descobre não aceita o emprego de seu marido e sai de casa. Daigo apesar da solidão, redescobre a paixão pela vida e percebe o quanto é preciso valorizar as pessoas e cada momento da existência.
A filmagem é de uma delicadeza impressionante, os objetos, os olhares e pequenos gestos ajudam a contar esta história que leva a muitas reflexões. É uma ótima oportunidade de conhecer um pouco da cultura japonesa, rica em simbolismos.
Ao assistir, as lágrimas se misturam a sorrisos, já que existem momentos em que os exageros nas atuações se tornam engraçados e dá para perceber porque os desenhos de mangá fazem tantas caretas.
Daigo encontra pessoas, famílias, religiões, histórias e encontra a tranquilidade quando reencontra seu pai, que não via desde os seis anos.
A relação entre o antigo e o moderno fica clara quando a orquestra é desvalorizada e quando a casa de banhos, que Daigo frequenta desde pequeno está ameaçada de fechar. É o novo Japão, das cidades grandes, das tecnologias convivendo com o Japão milenar, rico em costumes tradicionais.
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